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Regueifa Doce

A Regueifa de Santa Maria da Feira – Pão Doce da Páscoa

 

Terminada a Quaresma, período de grandes restrições – jejum e abstinência, mortificações, caridades e orações – é chegada a Páscoa e com ela a alegria plena do Homem, sobretudo no que concerne à sua alimentação.

 

 O carácter religioso que a Páscoa assumiu, quer para os judeus quer para os cristãos, determinou o surgimento de uma dietética condizente com a vivência e o significado religioso desta quadra. Daí o surgimento de uma gastronomia típica de festa, tradicionalmente associada ao cabrito, pão ázimo, folar, ovos, amêndoas, doces, pão de ló, roscas e regueifa.

 

Muitos destes elementos continuam bem presentes nas celebrações associadas à vivência Pascal em Santa Maria da Feira, sendo a Semana Santa um evento determinante no contexto do turismo religioso da região e numa ótica de promoção e valorização do nosso território.

 

Em alguns pontos do concelho de Santa Maria da Feira, perdura a tradição de confecionar a Regueifa da Páscoa em família, cada uma com a sua receita exclusiva, mas todas com uma curiosidade comum: a cozedura no forno sobre uma base (“cama”) de folhas de couve.

 

O fabrico da Regueifa está fortemente associado à quadra pascal, pois noutros tempos, em que o pão de ló era um luxo e coisa rara, porventura de acesso apenas a casas de famílias mais abastadas, a Regueifa era o doce da Páscoa por excelência. Não havia mesa que não a ostentasse. Pelas suas características, pode dizer-se que a Regueifa é um pão doce, dado que mistura características de pão e de bolo.

 

É certo que a Regueifa Doce faz-se um pouco por todo o País, variando no formato e nos ingredientes. Mas podemos afirmar que, até há bem pouco tempo, as freguesias de São João de Ver, Lobão e Guisande, entre outras do concelho de Santa Maria da Feira, mantinham fortes tradições na confeção deste afamado pão doce, fosse para consumo próprio ou venda.

 

Hoje são raras as pessoas de Santa Maria da Feira que fabricam a Regueifa de forma artesanal. A Dona Judite de Lobão, de 68 anos, que há muitos anos aprendeu a fazer este afamado pão doce com a sua mãe e com uma cunhada, é uma das exceções.

 

A Dona Judite confeciona a Regueifa na sua pequena cozinha, usando como principais ingredientes a sabedoria herdada dos seus antepassados e técnicas muito artesanais, graças à genica e força dos seus braços e mãos, que fazem tão saboroso manjar! Atualmente partilha esta tradição e saber com o seu neto Gonçalo, de 5 anos, que já ajuda a avó a partir os ovos e a provar o pão doce.

 

Em vésperas da Páscoa, a azáfama é grande na sua casa, onde se trabalha dia e noite para dar resposta às inúmeras encomendas da freguesia e dos muitos clientes forasteiros, que reconhecem a qualidade ímpar da Regueifa da Dona Judite.

 

O segredo de cada regueifeira está, naturalmente, nos ingredientes e nas quantidades, mas também no modo e tempo de preparação da massa, levedura e qualidade do forno e cozedura. Todavia, há ingredientes que são comuns à receita da Regueifa da Dona Judite, nomeadamente a farinha de trigo, o açúcar, os ovos, o fermento padeiro fresco, a manteiga, o limão e, claro, o segredo da regueifeira!

 

De todo o modo, há ingredientes que parecem ser mais ou menos comuns, nomeadamente:

150 ml de leite

3 ovos grandes inteiros + 1 gema

400gr de açúcar

100gr de manteiga

raspa e sumo de 1 limão

450 gr de farinha T55 (no total leva quase 1kg)

25 gr de fermento de padeiro (se fizerem apenas com fermento normal ela não fica bem)

1 pitada de canela

2 gemas

Há quem acrescente uma pitada de sal e café

 

Modo de preparação da Regueifa da Dona Judite

 

» Coloca-se a farinha numa masseira para fazer o crescente;

» Dissolve-se o fermento num pouco de água morna e junta-se à farinha com metade do açúcar e aos ovos batidos;

» Mexe-se e deixa-se repousar até levedar;

» Quando o crescente estiver levedo, acrescenta-se o resto do açúcar, a manteiga, a raspa de limão e amassa-se tudo;

» Faz-se uma bola e fica a levedar novamente na masseira, coberta com pano quente até duplicar de volume;

» Divide-se a massa em duas tiras, que se entrelaçam para fazer uma trança, unindo no final as pontas para fazer a regueifa redonda;

» Repousa novamente sobre um pano ou mesa enfarinhada, pincela-se com gema de ovo e vai ao forno de lenha aquecido a cozer.

 

Passados vários dias, e apesar de ficar seca (recessa), a Regueifa conserva a qualidade e continua a ser uma merenda apetecível. Frequentemente, no período pós-Páscoa, é conservada e servida nas tradicionais merendas nos intervalos dos trabalhos do campo.

 

São reconhecidos como bons acompanhamentos da Regueifa doce, um bom Vinho do Porto ou bom vinho tinto, queijo e até manteiga.

 

A Prova de Regueifa já acontece já há alguns anos nas iniciativas Percorrer as Capelinhas e Visitas ao Património Religioso, integrados respetivamente na Semana Santa e na Viagem Medieval.

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